terça-feira, 20 de novembro de 2018

Review - 'Taste' (Taste, 1969)

'Taste' (Taste, 1969)
O powertrio irlandês Taste surgiu em 1966, e foi o responsável por apresentar Rory Gallagher, um dos maiores e mais virtuosos guitarristas de todos os tempos e com apenas 20 anos de idade, aos holofotes do mundo da música. Embora surgido em 1966, seu álbum autointitulado só viu a luz do dia em 1969, já com a formação original desfeita. A primeira formação contava com Eric Kitteringham no baixo e Norman Damery nas baquetas, quando excursionaram por Irlanda e Alemanha, até o início de 1968, sendo substituídos por Richard McCracken e John Wilson. Esses dois, mais Gallagher, já participavam de turnês com Yes, Cream e outras bandas, sendo bastante conhecidos no cenário britânico, quando gravaram o primeiro de seus dois álbuns de estúdio, em agosto de 1968.

Faixas:
1. Blister on the Moon: 'Blister on the Moon' fala da insignificância do homem diante das obrigações impostas pela sociedade, e é um ótimo hard rock, já apresentando solos com o clássico timbre da Stratocaster Fender '61 de Gallagher. Fun fact: essa música me lembra 'Kickapoo', do filme 'Tenacious D'.
2. Leavin' Blues: cover adaptado do clássico blues composto pelo não menos tradicional cantor e compositor americano Lead Belly, deixa clara a virtuose instrumental de Rory Gallagher, que abusa dos arranjos com slide, além da excelente levada da bateria.
3. Sugar Mama: apenas para deixar clara a influência do blues no repertório da banda, segue a linha da segunda faixa. Sugar Mama é um blues tradicional, gravado por dezenas de artistas, incluindo Sonny Boy, Howlin' Wolf e até Led Zeppelin. Excelentes arranjos nessa versão, diga-se.
4. Hail: aqui, apenas Rory e seu violão. A letra fala da desilusão de um músico que toca para uma moça, e que quando abre os olhos ela já não está mais ali.
5. Born on the Wrong Side of Time: depois de três faixas dedicadas aos blues, em 'Nascido no lado errado do tempo' o hard rock aparece novamente. Interessante que as guitarras possuem pouca distorção rítmica nas estrofes iniciais, com linhas de baixo muito marcantes.
6. Dual Carriageway Pain: um animado blues rock, lembra diversas vertentes do estilo que estavam seguindo o mesmo conceito na época, principalmente das bandas britânicas influenciadas pelo blues americano. É claro que aqui os arranjos e solos de guitarra estão em uma evidência muito maior.
7. Same Old Story: segue a linha da faixa anterior. O que particularmente agrada é a levada do conjunto bateria e baixo em determinados momentos da música.
8. Catfish: outro cover de um blues tradicional (autor desconhecido), a levada nesta faixa claramente se inclina em direção ao heavy, com riffs pesados em determinados momentos, e de slow blues em outros. A letra fala de um cara que gostaria de ser um peixe para poder ser pescado por todas as lindas mulheres. Não é uma má ideia, afinal.
9. I'm Moving On: a faixa final é fantástica. Com arranjos muito legais na guitarra havaiana, é um cover do cantor country canadense Hank Snow.

* Resumo: as influências do blues e do folk escorrem por praticamente todas as faixas. É claro que devemos levar em conta que a banda já não era nenhuma iniciante no momento da gravação do álbum. Apesar disso, trata-se, sim, de um primeiro registro de jovens músicos ainda em busca de seu estilo próprio, o que justifica tantos covers. É difícil dizer que bandas dessa época não se espelhavam em artistas já consideravelmente grandes no período, como Cream, por exemplo. De qualquer forma, não há como negar o entrosamento e a grande virtuosidade, principalmente de Rory Gallagher, antevendo que muita coisa boa ainda estava por vir. De maneira geral, um bom álbum.

* Nota: 7,2/10

Rory Gallagher - vocais, guitarra, violão, saxofone, harmônica.
Richard McCracken - baixo.
John Wilson - bateria.

Lançamento: 1º de Abril de 1969
Gravação: Agosto de 1968
Local: De Lane Studios, Londres
Gravadora: Polydor
Produtor: Tony Colton



Bem-vindos ao ROQUE PAULERA

Sempre tive vontade de falar (e escrever) sobre uma das grandes paixões da minha vida: a música. E é partindo disso que decidi dar início ao trabalhos do blog Roque Paulera. Não sei até que ponto o conceito de blog ainda é utilizado; as pessoas se tornaram menos assíduas da leitura e foram envolvidas pelas opiniões práticas e fáceis de opiniões enlatadas. Dessa forma, é fácil perceber que minha intenção aqui não é conseguir audiência nem atrair um grande volume de visitantes. É, na realidade, a maneira que encontrei de manter uma database do (pouco) conhecimento musical que adquiri ao longo dos anos. Senti que, para de fato conhecer um artista, sua essência e a mensagem que quer transmitir, seria interessante analisar minuciosamente seu trabalho, e escrever sobre isso poderia ser uma boa maneira de dar o primeiro passo.

Planejo reunir aqui informações sobre os cenários que estão ao meu alcance e que contribuíram para a formação do meu gosto musical. Enfim, tudo aquilo que, a sua maneira, possa contribuir para o enriquecimento musical do público, que está cada vez mais sujeito a um produto modorrento e sem graça de uma nefasta linha de produção e menos ao real intuito da arte como um todo: uma manifestação natural e direta.

O que mais posso dizer? Sejam todos bem-vindos ao Roque Paulera! Let's go!